Partidos de oposição de diferentes espectros políticos se articularam na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para tentar frear a realização de uma nova eleição para a presidência da Casa, em meio ao impasse institucional provocado pela recente crise no comando do governo estadual. A movimentação ocorre após o presidente da Alerj, Guilherme Delaroli, sinalizar a intenção de convocar um novo pleito após a homologação da retotalização de votos, prevista para esta terça-feira.
Em resposta, dirigentes de partidos como PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania e PCdoB se reuniram na tarde de segunda-feira (13) e formaram uma frente partidária em defesa do adiamento da eleição. Em nota pública divulgada nesta terça (14), as siglas afirmam que o cenário atual é marcado por “desastre institucional e incerteza jurídica”, em referência à crise que resultou na dupla vacância no comando do Estado do Rio de Janeiro.
O documento também menciona decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7942 e da Reclamação nº 92.644/RJ, ainda em tramitação, como base para sustentar a alegada inviabilidade jurídica de realização do pleito neste momento. Segundo as legendas, há entendimento liminar que suspende eleições indiretas até a conclusão do julgamento definitivo, o que, na avaliação do grupo, exigiria cautela institucional.
“A frente partidária reafirma o compromisso com a Constituição, com as decisões do STF e com a necessidade de aguardar a conclusão do julgamento para garantir segurança jurídica e estabilidade institucional”, diz trecho da nota conjunta.
Nos bastidores, a articulação também envolve o cenário político interno da Alerj. Integrantes do grupo ligado ao ex-prefeito Eduardo Paes avaliavam a possibilidade de lançar uma candidatura competitiva para disputar a presidência da Casa contra o deputado Douglas Ruas (PL). Entre os nomes cogitados estavam Vitor Junior (PTD), André Corrêa (PSD) e Rosenverg Reis (MDB).
Diante da dificuldade de consolidar consenso em torno de um nome viável, prevaleceu, segundo relatos de bastidores, a estratégia de defender o adiamento da eleição como forma de aguardar maior definição do cenário jurídico e político no estado.

